quinta-feira, 14 de maio de 2009

"A ARTE E DESENVOLVIMENTO DA PESSOA ESPECIAL"

Fazer arte é, "produzir um estado psíquico em que o sujeito começe a fazer experiências com seu ser, um ser em que nada mais é definitivo nem irremediávelmente petrificado; é produzir um estado de fluidez de transformação e de vir a ser".
( Jung, 1999, p.44 )
ARTE

Pode-se definir arte como meio de expressão comum à cultura de todos os tempos. Porém, um dos maiores problemas do sistema educacional é a não compreensão da natureza expressiva nas artes visuais, estabelecendo territórios separados e fronteiras invioláveis para a ciência e para a arte, quando não se pode fazer distinção entre uma e outra.

NATUREZA E FUNÇÃO

Fundamenta-se no desenvolvimento do educando em relação à sensibilidade, à percepção e observação e ao pensamento crítico frente a obra de arte, sua leitura e fazer artístico, buscando promover um ensaio para a compreensão critica da ARTE. Esta caracteriza-se em sua constituição com ciência.

Devido a complexidade sócio-cultural, fas-se necessário um estudo de sua natureza e função:

SENSÍVEL- relacionada com o "EU" sensível do aluno, portanto configura-se como natureza sensível, expontânea em sua forma de expressão. Importante, esta forma expontânea está subjetivamente relacionada com os aspectos afetivos vivênciados pelo aducando.

INTUITIVA- nesta forma a intuição é como a luz, a claridade que vem do interior, da alma, de dentro de nós mesmos, não sendo necessário a busca de ensinamentos do exterior.
OSTROWER, Fayga(1978), diz que: "a intuição capta a realidade verdadeira, a interioridade, a continuidade do objeto a ser conhecido. Entretanto ela, não precisa de nenhum suporte externo para realizar uma função específica".
Para outros a intuição nasce num momento inesperado quando o pensamento lógico foi esgotado. Esta se processa pela visão, audição... sensível, direta de algo real no plano da sensibilidade, pela percepção que se forma em decorrência do estreitamento das relações, e ainda pela participação emocional dirigida aos valores internos.

domingo, 19 de abril de 2009

DEPRESSÃO INFANTIL: MITO OU REALIDADE !

Informações sobre o distúrbio ajudam o docente no fazer pedagógico

Até a década de 40 não se admitia o fato de crianças tornarem-se depressivas. Elas eram vistas como adultos em miniatura que não passavam por problemas nem conflitos. Com o passar dos tempos, esta concepção evoluiu e a criança passou a ser vista como um ser em desenvolvimento que apresenta conflitos internos e externos, bem como necessidades e anseios, tanto quanto um adulto. Estes conflitos, necessidades e anseios, se mal resolvidos, podem causar aiguma sequela negativa na formação da criança, como também podem desencadear outros processos que levem à depressão.

O reconhecimento da existência do estado depressivo em crianças levou tempo considerável e isso só foi possível a partir das décadas de 40 e 50, com muitos psicanalistas, como Abraham, que descreve uma forma de depressão pré-edipiana; Fenichel, que sugere a possibilidade da existência de alterações de comportamento no primeiro ano de vida, e outros que denominam de depressão analíctica um conjunto de características que surgem em crianças separadas da mãe no primeiro ano de vida.

Estes e outros psicanalistas podem ser considerados os precursores de estudos sobre a depressão infantil. Percebe-se que os nomes dados por eles a esta doença que hoje afeta muitas crianças foram outros, mas o importante é que, por meio de autores como eles, o assunto Depressão Infantil aflorou no ramo da psicanálise.

Foi a partir da década de 70, com o desenvolvimento da medicina, mais especificamente da psiquiatria infantil, que passou a ser atribuída impotância às incidências de depressão em crianças, pois, até então, era pouco ou nada conhecida.

Depressão em diferentes momentos

Marcelli caracteriza a depressão em função da idade: a depressão do bebê e da criança bem pequena (até 24 - 30 meses), a depressão da criança pequena (de 3 a 5/6 anos) e a depressão na adolescência (12 aos 16 anos).
A separação da mãe, a mudança da imagem materna, de condições de vida, a carência afetiva, a mãe depressiva e a carência alimentar são fatores que podem desencadear o sofrimento e, conseqüentemente, a depressão em um bebê. Os principais sintomas da depressão são o olhar apagado, o bebê não brinca com as mãos e com mordedores, haver ausência de balbucio e de curiosidade exploratória. A expressão lingüística e a motora sofrem perturbações, atrasando o processo de desenvolvimento.

A depressão da criança pequena é desencadeada geralmente por uma separação ou por uma perda brutal. A criança passa a apresentar comportamento de isolamento, retraimento, calma excessiva que pode ser interrompida por ações agressivas de fuga. Nesta idade, a criança depressiva evita brincar com outras crianças, apresenta alterações no sono e no apetite. Marcelli considera brutal a colocação de uma criança pequena depressiva em classe escolar, por que ela não suporta a inserção no grupo. Já a depressão do adolescente, freqüentemente, é relacionado aos remanejos psicoafetivos característicos desta faixa etária.

A depressão envolve um conjunto de sintomas que levam a criança à angústia e ao sofrimento. Estes sintoma podem ser confundidos com birra, falta de educação ou mimo. São citados, nas bibliografias consultadas, alguns sintomas como: dificuldades em se afastar da mãe, angústias, tristezas, crises de choro, medo, pessimismo, agressividade, mudança de apetite,e do sono, isolamento social, falta de atenção, agitação excessiva ou hiperatividade, irritabilidade, baixo auto-estima, sentimento de inferioridade, fala de morte ou suicídio, baixo rendimento escolar e dores no corpo.

domingo, 12 de abril de 2009

ADAPTAÇÕES CURRICULARES NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A seguir, a título de facilitar o trabalho docente, sugerimos alguns recursos que podem ser utilizados quanto a adequações no atendimento de alunos com necessidades especiais, esclarecendo que estes devem estar previstos no planejamento das atividades curriculares. Os recursos são meios auxiliares no desenvolvimento das ações que precisam estar bem-definidas no plano de trabalho do professor.

Para alunos com altas habilidades:

* Engajamento em atividades cooperativas e de pesquisa.
* Materiais, equipamentos e mobiliário que facilitem o trabalho educativo.
* Ambientes enriquecedores para o desenvolvimento dos conteúdos.
* Materiais escritos que estimulem a criatividade: lâminas, murais e gráficos.
Além dos recursos listados, que como já dissemos, não são solução de aprendizagem, mas, indicativos de formas para a condução da ação planejada, é preciso que se pense:

* nas estratégias de ensino e aprendizagem, bem como na avaliação e nas atividades que levem em conta as dificuldades dos alunos especiais, eliminando atividades que não sejam possíveis de serem cumpridas por parte do aluno;
* nas adaptações, dentro da programação regular, dos objetivos, conteúdos, e critérios de avaliação, sempre que necessário. Para esta definição, deve-se fazer uma avaliação psicopedagógica, cujo objetivo é investigar os níveis de competência atual do aluno, bem como verificar que fatores estão, ou não estão, facilitando o seu desenvolvimento, para que se tome decisões que permitirão modificações ou ajustes, a fim e torná-lo, mais adequado a cada caso.

Para alunos com deficiência mental:

* Ambientes de sala de aula que favoreçam a aprendizagem ("cantinhos" de arte, do teatro, da leitura etc.), favorecendo o trabalho diversificado em grupos ou inividual.
* Desenvolvimento de habilidades adaptativas: sociais, de comunicação, cuidado pessoal e autonomia.

Para alunos com deficiência visual:

* Materiais desportivos adaptados: bola de guizo e outros.
* Sistemas alternativos de comunicação: sistema Braille, cartazes com escritas ampliadas.
* Textos escritos, com ilustrações táteis (diversas texturas: lixa, algodão, veludo), auxiliando a compreensão.
* Posicionamento do aluno em sala de aula de modo a favorecer a escrita do professor.
* Disposição do mobiliário escolar favorecendo a locomoção em sala de aula.
* Explicações verbais sobre o material visual apresentado na aula.
* Adaptações de materiais escritos: tamanho das letras, relevo, softwares educativos do tipo ampliado.
* Uso de máquina de escrever Braille, bengala longa, livro falado.
* Pranchas ou presilhas para não deslizar o papel, lupas, computador com sintetizador de vozes.
* Apoio físico, verbal e instrucional para viabilizar a orientação e mobilidade do aluno cego.

Para alunos com deficiência auditiva:

* Materiais e equipamentos específicos: próteses auditivas, treinadores de fala, tablado em madeira facilitando a transmissão do som e softwares específicos.
* Textos escritos acompanhados de outros tipos de linguagem: linguagem gestual, língua de sinais.
* Sistema auternativo de comunicação adaptado ás possibilidades do aluno: leitura crofacial, leitura e linguagem de sinais.
* Salas-ambientes para treinamento auditivo, de fala e de ritmo.
* Posicionamento do aluno na sala de aula de tal modo que possa acompanhar os movimentos faciais do professor e colegas de classe.

Para alunos com deficiência física:

* Sistemas aumentativos ou alternativos de comunicação adaptado ás possibilidades do aluno impedido de falar: sistemas de símbolos (pictográficos, ideográficos e arbitrários), tabuleiros de comunicação, sinalizadores mecânicos.
* Adaptações de elementos materiais: rampa. elevador, pátio de recreio, barra de apoio, alargamento de portas, mobiliário, materiais de apoio (andador, colete, abdutor de pernas, faixas restringidoras); materiais de apoio pedagógico (tesouras, ponteiras, computadores).
* Remoçao de barreiras arquitetônicas.
* Utilização de planchas de presilhas para não deslizar o papel, suporte para lápis, presilha de braços, cobertura de teclados etc.
* Textos escritos complementados com elementos de outras linguagens e sistemas de comunicação.

domingo, 22 de março de 2009

FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO


IDENTIFICANDO O NOSSO ALUNO:

Tem havido numerosas tentativas no sentido de se definir a deficiência mental. Muitas áreas entre elas a Psicologia, a Medicina, o Serviço Social e a Educação - vêm se preocupando com crianças e adultos deficientes mentais, e cada uma delas faz a sua análise a partir de seus próprios referenciais teóricos. Como a ciência não é parada, as definiçôes não são estáticas, e tendem a ser modificadas e aperfeiçoadas, na medida em que mais experiências e evidências se tornam possíveis.
Em tentativas recentes de se definir a deficiência mental, a ênfase mudou significativamente de uma condição que existe somente no indivíduo, para uma que apresenta uma interação do mesmo com um ambiente em particular. A deficiência mental, atualmente adotada, foi proposta pela Associação Americana de Deficiência Mental (AAMR) e consta na Política Nacional de Educação Especial do Ministério de Educação e Cultura (BRASIL, 1994b), a saber:
funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, oriundo do período de
desenvolvimento, concomitantemente com limitações associadas a duas ou mais áreas da
conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente as demandas
da sociedade, nos seguintes aspectos: comunicação, cuidados especiais, habilidades sociais,
desempenho na família e comunidade, independência de locomoção, saúde e segurança, desempenho escolar, lazer e trabalho.

A Secretaria de Educação Especial do Ministério de Educação (MEC) adota esta definição para efeito de doagnóstico e caracterização dos portadores de deficiência mental. Ou seja, considera como portador de deficiência mental, aquela cujo escore de inteligência seja inferior aos obtidos por 97 a 98%
das pessoas de mesma idade, que não satisfaça padrôes de independência e responsabilidade esperados do grupo etário e cultura (isto é, aprenda habilidade acadêmica básicas e participe de atividades apropriadas ao grupo social).

A idade de início da deficiência deverá situar-se antes dos dezoito (l8) anos ou seja, aparecer durante o curso de seu desenvolvimento. Problemas de natureza semelhante, em adultos seriam provavelmente classificados como doença mental e não deficiência mental.
Nenhuma definição, porr mais abrangente que seja, tem grande valor, a menos que seua conceitos abstratos possam ser traduzidos em alguna forma prática.
Tradicionalmente, a dimensão de subnormalidade intelictual é determinada pelo desempenho nos testes de inteligência.
As crianças deficientes mentais são acentuadamente mais lentas do que seus companheiros da mecma idade para usar a memória com eficácia, associar e classificar informações, raciocinar e fazer julgamentos adequados.

Os alunos cujos escores caem entre um Q.I. de 85 e um Q.I. de 70, são frequëntemente chamados de subnormais, intelectualmente limítrofes. Geralmente, encontra-se no limite inferior de uma classe
típica, mas são capazes de um desempenho médio, se receberem um programa educacional adequedo.
Os alunos cujos escores caem entre um Q.I. de 55 e um Q.I. de 70 são chamados deficientes mentais educáveis, se a adaptação social também for baixa. Alunos cujos escores caem num Q.I. de 55, mas que são capazes de responder os testes, são considerados deficientes mentais treináveis.

O TRABALHO PEDAGÓGICO:

Os primeiros anos de vida são muito importante para que a criança possa satisfazer suas necessidades de afeto e de aceitação, assim como de realização e de auto-estima por serem decisivos na determinação dos ajustamentos posteriores. Essa necessidade básica para todos os indivídios, torna-se mais forte em se rtatando de criança que apresente qualquer deficiência, a fim de torná-lo mais seguroe confiante para estabelecer a relação com o mundo. A escola deve trabalhar junto com a família, para que, numa troca mútua possam oferecer a adequação das atividades necessidades ao desenvolvimento da criança. É importante que a criança sinta-se também segura na escola cabendo ao professor uma postura de orientador da atividade a ser desenvolvida.

Muitos estudiosos têm demonstrado que as crianças e adolescentes com retardo mental são capazes de construir seu próprio conhecimento, embora não consigam atingir o estágio hipotético dedutível da inteligência. São capazes de avançar até o estágio operatório concreto.

A importãncia do papel do professor é fundamental para que se estabeleça a confiança e a auto-estima
que o levará a desenvolver a proposta de ensino com satisfação.

As propostas de trabalho devem representar um desafio ao seu pensamento, com o objetivo de proporcionar o alcance da autonomia moral, social e intelectual.
As atividades devem favorecer a estruturação ou coordenação das próprias ações dos alunos, considerando que são capazes de criar, de descobrir e de reinventar o conhecimento a partir de uma inter-relação com o meio. Será preciso, ainda envolvê-lo pessoalmente na atividade que poderá ser individual, coletiva ou em grupo, de acordo com a que melhor oportunizar a troca de pontos de vista, já que também estará sendo trabalhada a cooperação entre eles.

Um trabalho educacional com crianças portadoras de deficiência mental deve privilegiar atividades espontâneas que permitirão ao professor observar os processos que o leveram a conhstruir suas respostas. É mais importante entender como ela aprende, como elabora seu pensamento, do que com o resultado da resposta, ou seja, se responde corretamente ou não.

Finalizando nossa conversa de hoje, devemos nos lembrar do que Paulo Freire nos ensinou: "o caminho para construção do conhecimento, de certo, não pode ser trilhado por um viajante solitário, portanto, o professor e seus alunos devem caminhar juntos nesta estrada."

Este texto foi fornecido pelo professor Gustavo Montiel, para seus alunos do curso de qualificação em Educação Especial.

FUNDAMENTOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS DA INCLUSÃO

TRABALHANDO COM O ALUNO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA MENTAL:

A Educação Especial é uma modalidade de ensino destinada às pessoas portadoras de deficiência, de condutas típicas e de altas habilidades, considerada pela Constituição Brasileira parte inseparável do direito à educação.
É conceituada como processo de desenvolvimento global das potencialidades de pessoas portadoras de deficiência, condutas típicas ou de altas habilidades, abrangendo os diferentes níveis e graus do sistema de ensino. Fundamenta-se em referenciais teóricos e práticos, compatíveis com as necessidades do seu alunado. O processo deve ser integral, fluindo desde a estimulação essencial até os graus superiores de ensino, e sua tarefa prioritária é ampliar os níveis de competências técnicas, eliminando o preconceito que atinge o seu alunado.
De acordo com a Política Nacional de Educação Especial (BRASIL, 1994b), "são considerados alunos portadores de necessidades educativas especiais aqueles que, por apresentarem necessidades próprias e diferentes dos demais alunos, requerem recursos pedagógicos e metodológicos educacionais especiais."
Dentro destes entendimentos, vamos abordar, na aula de hoje, quem é o aluno portador de deficiência mental e os procedimentos favoráveis ao seu desempenho escolar.

domingo, 15 de março de 2009

Espíritos Evoluídos

Há alguns anos, nas olimpíadas especiais de Seattle, nove participantes, todos com deficiência mental, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos. Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar.

Um dos garotos tropeçou no asfalto, caiu e começou a chorar. Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás. Então viraram e voltaram. Todos eles. Uma das meninas com Síndrome de Down ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse: - Pronto, agora vai sarar!

E todos os noves competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos.

Talvez os atletas fossem deficientes mentais... Mas com certeza, não eram deficientes espirituais...

"Isso porque, lá no fundo, todos nós sabemos que o que importa nesta vida, mais do que ganhar sozinho, é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir os nossos passos."

Autor desconhecido